dois traços de alumina
a história de um homem com tamanha virilidade para ir viver para África, tomar todos os dias banho de água fria mas com a princesice de dormir envolto numa rede mosquiteiro
Thursday, August 16, 2012
O Africano parte XIII – a vingança!
Sunday, June 12, 2011
O aroma de África
Tuesday, June 7, 2011
O dilúvio guinéu
Mas o amanhã não foge e caracteriza-se pelas estradas lamacentas, os lagos que as contornam e a praga de insectos de todas as espécies que por aí vagueia, surgida espontaneamente com os primeiros aguaceiros.
Para já chove apenas de madrugada. Matematicamente. À hora de jantar vêm os relâmpagos em catadupa a fazer lembrar uma rave no pinhal. Durante a noite, as horas de chuva intensa para interromper o meu sono profundo. Qual relógio suíço! O descanso do guerreiro é intervalado a meio, para umas voltas na cama até que o ouvido se habitue ao estardalhaço que os pingos grossos mas velozes provocam na cobertura metálica da nossa habitação.
Muito em breve os períodos de pluviosidade intensa vão ser mais duradouros ocupando cada vez mais parte da noite até não darem tréguas e consumirem gradualmente porções intermináveis do dia.
Saturday, May 21, 2011
Conakry – o regresso do herói!
Conakry, com cerca de dois milhões de habitantes, é a capital da República da Guiné. Aqui, as falhas de energia são tão frequentes que se diz ser a maior cidade do mundo sem electricidade. Não deixa de ser um grande choque a chegada a este país, principalmente para quem pisa pela primeira vez o continente Africano. Após passar a corrupta comitiva de funcionários aeroportuários e agentes alfandegários, somos recebidos por um caloroso bafo húmido como quem dá as boas vindas a este magnifico continente. Depois, é ver toda uma realidade paralela que passa em frente aos nossos olhos através do vidro do carro. Impossível ficar indiferente. Pelo menos da primeira vez!
Saturday, March 26, 2011
O hábito faz o monge
O problema é que não tenho nada de interessante a relatar e a inspiração não abunda! No entanto, vocês, queridos amigos, merecem umas linhas e portanto decidi “encher chouriços” à semelhança dessa trupe que governa (?) a nossa nação e que acompanho diariamente no noticiário da hora de jantar que, como pressagiam, é visionado religiosamente por qualquer imigrante que se preze.
Corre-me na veia aquele gene de qualidade dos portugueses que nos permite adaptar a qualquer lugar e portanto já estou ambientado à cena, sendo cada dia apenas mais um dia e não vendo nesse dia nada de importante para partilhar. A rotina apoderou-se nefastamente da minha vida e cada dia de calendário parece um clone do anterior. Mas também não é esse um sentimento que nos alvoroça, provavelmente ainda mais frequentemente, na nossa morada, no lugar que nos deu ao Mundo?
O que pretendo efectivamente transmitir é que começo assimilar rapidamente o que os sentidos me oferecem e a imagem dos abutres de volta do lixo, o cheiro nauseabundo do peixe a secar à beira da estrada, as crianças descalças a brincar e todos os outros contrastes já não são tão chocantes como numa primeira impressão. Provavelmente sê-lo-ão outra vez quando voltar a poisar os pés bem calçados no mundo desenvolvido.
Monday, February 21, 2011
Este país está minado!
A Guiné, embora pobre é um país com muitos recursos e um dos principais exportadores de bauxite e alumina. Consórcios de grandes empresas mineiras do mundo desenvolvido, com auxílio do Governo nacional exploram estas matérias-primas. Este trabalho requer infra-estruturas de qualidade, planeadas e dirigidas por mão-de-obra qualificada proveniente do mundo ocidental e executadas por mão-de-obra nativa e substancialmente mais apetecível em termos financeiros.
Kamsar é uma vila costeira que surgiu fruto do estabelecimento de uma empresa exploradora, de bauxite no local. A vila estende-se ao longo de duas vias de transporte que se desenvolvem contiguamente - uma estrada pejada de bicicletas e um caminho férreo que se assume como veículo de transporte ao minério que serve de base à produção do alumínio. Diariamente uma ou duas composições de três locomotivas e cento e vinte vagões atulhados percorrem a linha entre as minas e o porto, em ambos os sentidos, várias vezes ao dia
Posso afiançar que os nativos estão habituados a conviver no seio destes mega-empreendimentos e posso arriscar dizer que estão satisfeitos com este intercâmbio, uma vez que as empresas que aqui se implementam são a única fonte de sustento a esta gente. Para que se tenha uma ideia do flagelo que é o desemprego em Kamsar, estão inscritos na inspecção de trabalho mais de 6000 candidatos a um dos 70 empregos que a obra disponibiliza. Corre o rumor que a ordem da lista de candidatos está sujeita um pagamento de 400 euros à inspectora quando o ordenado médio neste país é de uns míseros 30 euros! Escândalo!
Thursday, February 17, 2011
Boletim informativo nº 1
A Republica da Guiné (para os amigos Guiné-Conakry de forma a distingui-la da irmã e vizinha Guiné-Bissau) está localizada na África Ocidental. E aqui o termo ocidental não vaticina nada de bom, uma vez que esta região é a mais pobre do mundo! O FMI, esses senhores que têm bilhete em aberto para Portugal, inventariaram (não confundir com o verbo “inventar”) e decidiram colocar a Guiné no top 10 dos países mais desgraçados do nosso planeta, com a companhia de alguns países que a rodeiam, para que não se sentisse isolada. Já que tocámos no assunto, a Guiné faz fronteira com 6 países – Guine-Bissau, Senegal, Mali, Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa - e apesar de não estar minimamente preparada para o turismo, oferece paisagens espectaculares e das poucas florestas tropicais secas ainda existentes na Terra. Infelizmente ainda não tive oportunidade de espreitar nada disso.
Saturday, February 12, 2011
Os caminhos de África
Monday, February 7, 2011
O desporto cá da terra
O guarda da minha casa deve ser fã do Liverpool pois desde que o conheço ainda não despiu a camisola. Também só com a minha chegada é que me apercebi da dimensão dos gastos do Sr. Abramovich, o plantel do Chelsea é colossal e estagia praticamente o ano todo em Kamsar. No entretanto perdi a conta aos irmãos do Eto’o, são pelo menos 14.
Mas o facto que mais intrigou foi o de só encontrar duas vedetas do campeonato português - o Costinha que envergava a camisola do Porto em detrimento do seu novo fato às riscas e o Purovic, esse mesmo!
Saturday, February 5, 2011
Avaria entérica
Mas que conversa de merda é esta? – perguntam vocês.
O caricato está no facto de que foi precisamente no dia em que me tive de levantar penosamente para ir à retrete que faltou a água.
- Lavar as mãos?
- Para quê?
- Puxar o autoclismo?
- Pois… Esforcem-se para conceber o cheiro da bosta levedada durante 4 horas. Está a uma viagem Kamsar-Lisboa do “bom dia!” que estava habituado a ouvir de manhã.
Thursday, February 3, 2011
1ère leçon
Já tive direito à minha lição número 1. Primeiro dia de folga igual a primeira aventura. De manhã dei uma saltada ao mercado de peixe que fica no Porto de Pesca. Acho que não chegou a 1 minuto e 3 fotografia mal tiradas até que me apreendessem a máquina. Duas fotos a um grupo de jovens pescadores que me solicitaram a imortalização do momento mais uma fotografia a umas pirogas e já tinha um simpático militar a tirar-me o instrumento. Muita conversa depois, uma incursão ao posto da polícia, mais conversa, telefonema ao nosso contacto guineense, mais conversa, um ajuntamento local, um pouco mais de conversa, uma gentil gorjeta bem negociada e recuperei o meu tão querido objecto. Moral da história: onde possa haver um senhor africano fardado, seja ele camuflado, em tons de azul ou com padrões berrantes num raio de 1km o melhor é nem sequer tirar a máquina do bolso.
Wednesday, February 2, 2011
A noite de Kamsar
Monday, January 31, 2011
Primeira paragem – Conakry
A primeira noite foi realmente dura. Depois da seca que foram as quase 6 horas no aeroporto de Casablanca e dos voos que as ensanduicharam, tive uma noite em claro. Chegámos às 4 da matina e no meu quarto de hotel de 4 estrelas (talvez realidade única em Conakry) estavam uns quantos mosquitos a esfregar as asas de contente na almofada que ia acolher a minha cabeça. Segui todas as indicações de médicos e afins e mesmo assim foi uma picadaria a noite toda! Pijama completo, repelente nos sítios desnudados, ar condicionado no máximo e nada disso evitou que acordasse com a cara insuflada de babadas.
Depois o que se seguiu foi uma simpática viagem rumo a Kamsar numa estrada ainda mais irregular, esburacada e sinuosa que a minha cara, lugar de recreio de mosquitos.
Após tudo isso as coisas só puderam melhorar. Uma noite bem dormida, um duche de água fria (não por opção) e estava pronto para absorver toda a cultura africana.