O Africano anda preguiçoso.
Essa é a explicação para a escassez de palavras neste espaço. “Que alívio”
desabafarão alguns. Deixei-me entorpecer pelo espirito desta terra e arrasto-me
nesta rotina encadeada, difícil de me desapegar. Eu que nem pratico o Ramadão. Ainda
bem! Isso não dá trabalho mas dá canseira! Fico feliz de não sentir necessidade
de proceder ao jejum ritual para renovar a minha fé. O meu pensamento e a minha
energia espiritual concentram-se numa única ideia: férias. E já cheira a isso!
Agora que penso bem nas coisas
eu não sou preguiçoso, porra! Eu trabalho que nem um mouro nesta terra e não
respondo invariavelmente – “Estava a pensar”, quando alguém me encontra no período
de labuta e interroga se estava a dormir. Eu já estou é habituado a passar por
pessoas de toca de banho e sacos plásticos na rua quando chove; a ver gado vivo
transportado na bagageira de uma qualquer viatura ligeira com as rodas tortas;
jovens a passear de gorro sob um sol abrasador… e, tudo isso deixa-me indiferente,
sem iniciativa para escrever sobre este mundo paralelo em que habito.
O que mudou então? – Interrogar-se-ão
as duas pessoas que lêem estas linhas.
- A pacatez da vila de Kamsar.
Foi isso que mudou!
Não que agora seja repórter em
cenário de guerra. Longe disso, felizmente. No entanto, quando quatro gandulos encapuçados
entram devidamente armados (falo das míticas metralhas AK-47) na casa do chefe
num dia de precipitação torrencial e trovões em catadupa como Portugal nunca
viu, isso é merecedor de registar.
Agora, tudo está bem. O homem recompôs-se
do susto de estar amarrado de barriga para baixo, enquanto os guardas da casa estavam
envoltos num lençol trancados na casa de banho e os larápios pilhavam alegremente
e deixavam todas as divisões da casa em pantanas.
Depois disso, os gatunos ainda
pediram o jipe todo-o-terreno emprestado e arranjaram tempo para fazer uma
visita à casa de câmbios e valorizarem a sua coleção numismática com divisas de
países exóticos da América do Norte e da Europa.
A viatura já foi encontrada
com alguns ornamentos, como os 6 vestígios de bala no tejadilho mas não há
sinais do computador, relógio, cuecas, cerveja, caju e (claro, porque a higiene
não pode ser nunca descurada) a pasta de dentes.
Não queria terminar sem antes deixar os meus sinceros agradecimentos ao chefe que se mudou e saiu de minha casa à
sensivelmente um ano. A esta hora estava borradinho e era também eu sem computador,
iPad, iPod, ténis, meias, cereais, corta-unhas e sei lá mais o quê.
Zé Mex!
ReplyDeleteA tua é que é uma vida com emoção, não é cá isto de ver bundas a passar na praia.
Quem foi o chefe vítima? Eu conheço?
Abração!
P.S. - tás convidadíssimo para vir lavar as vistas ao Rio
Tio Mex,
ReplyDeleteNão queres reconsiderar a tua vida? Aqui na Guiné é que há ação. Isso das bundas já está fora de moda!
Não conheces não. É uma nova aquisição.
Grande abraço.
Vou pensar fortemente nessa possibilidade quando acabar o projeto.