Thursday, August 16, 2012

O Africano parte XIII – a vingança!

O Africano anda preguiçoso. Essa é a explicação para a escassez de palavras neste espaço. “Que alívio” desabafarão alguns. Deixei-me entorpecer pelo espirito desta terra e arrasto-me nesta rotina encadeada, difícil de me desapegar. Eu que nem pratico o Ramadão. Ainda bem! Isso não dá trabalho mas dá canseira! Fico feliz de não sentir necessidade de proceder ao jejum ritual para renovar a minha fé. O meu pensamento e a minha energia espiritual concentram-se numa única ideia: férias. E já cheira a isso!
Agora que penso bem nas coisas eu não sou preguiçoso, porra! Eu trabalho que nem um mouro nesta terra e não respondo invariavelmente – “Estava a pensar”, quando alguém me encontra no período de labuta e interroga se estava a dormir. Eu já estou é habituado a passar por pessoas de toca de banho e sacos plásticos na rua quando chove; a ver gado vivo transportado na bagageira de uma qualquer viatura ligeira com as rodas tortas; jovens a passear de gorro sob um sol abrasador… e, tudo isso deixa-me indiferente, sem iniciativa para escrever sobre este mundo paralelo em que habito.
O que mudou então? – Interrogar-se-ão as duas pessoas que lêem estas linhas.
- A pacatez da vila de Kamsar. Foi isso que mudou!
Não que agora seja repórter em cenário de guerra. Longe disso, felizmente. No entanto, quando quatro gandulos encapuçados entram devidamente armados (falo das míticas metralhas AK-47) na casa do chefe num dia de precipitação torrencial e trovões em catadupa como Portugal nunca viu, isso é merecedor de registar.
Agora, tudo está bem. O homem recompôs-se do susto de estar amarrado de barriga para baixo, enquanto os guardas da casa estavam envoltos num lençol trancados na casa de banho e os larápios pilhavam alegremente e deixavam todas as divisões da casa em pantanas.
Depois disso, os gatunos ainda pediram o jipe todo-o-terreno emprestado e arranjaram tempo para fazer uma visita à casa de câmbios e valorizarem a sua coleção numismática com divisas de países exóticos da América do Norte e da Europa.
A viatura já foi encontrada com alguns ornamentos, como os 6 vestígios de bala no tejadilho mas não há sinais do computador, relógio, cuecas, cerveja, caju e (claro, porque a higiene não pode ser nunca descurada) a pasta de dentes.
Não queria terminar sem antes deixar os meus sinceros agradecimentos ao chefe que se mudou e saiu de minha casa à sensivelmente um ano. A esta hora estava borradinho e era também eu sem computador, iPad, iPod, ténis, meias, cereais, corta-unhas e sei lá mais o quê.

2 comments:

  1. Zé Mex!
    A tua é que é uma vida com emoção, não é cá isto de ver bundas a passar na praia.
    Quem foi o chefe vítima? Eu conheço?

    Abração!
    P.S. - tás convidadíssimo para vir lavar as vistas ao Rio

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  2. Tio Mex,

    Não queres reconsiderar a tua vida? Aqui na Guiné é que há ação. Isso das bundas já está fora de moda!
    Não conheces não. É uma nova aquisição.

    Grande abraço.

    Vou pensar fortemente nessa possibilidade quando acabar o projeto.

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