Sunday, June 12, 2011

O aroma de África

Com a chegada das primeiras chuvas vem o incomparável cheiro a terra molhada. Dizem que este cheiro característico fica-nos nas narinas para sempre e é uma das maiores marcas que levamos connosco deste impressionante continente. Contudo quero esclarecer que há muitos outros princípios odoríferos que rivalizam muito de perto com este:
§  na estrada: os fumos expelidos dos escapes emissores dos mais variados e poluentes gases provenientes da mistura de gasóleo super aditivado;
§  perto do mercado: o cheiro nauseabundo do peixe seco ao sol durante horas;
§  na noite: o inconfundível odor de catinga-patchouli!

Tuesday, June 7, 2011

O dilúvio guinéu

Abriram a torneira. Começou a chover à séria. Como se não houvesse amanhã.
Mas o amanhã não foge e caracteriza-se pelas estradas lamacentas, os lagos que as contornam e a praga de insectos de todas as espécies que por aí vagueia, surgida espontaneamente com os primeiros aguaceiros.
Para já chove apenas de madrugada. Matematicamente. À hora de jantar vêm os relâmpagos em catadupa a fazer lembrar uma rave no pinhal. Durante a noite, as horas de chuva intensa para interromper o meu sono profundo. Qual relógio suíço! O descanso do guerreiro é intervalado a meio, para umas voltas na cama até que o ouvido se habitue ao estardalhaço que os pingos grossos mas velozes provocam na cobertura metálica da nossa habitação.
Muito em breve os períodos de pluviosidade intensa vão ser mais duradouros ocupando cada vez mais parte da noite até não darem tréguas e consumirem gradualmente porções intermináveis do dia.